O desempenho nas subestruturas das edificações

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ricardo veigaTradicionalmente a engenharia civil primou pela preocupação e valorização dos sistemas estruturais das edificações, fundações e superestruturas. A primeira norma técnica brasileira publicada, denominada NB1, foi gestada em 1940, e publicada por meio do Decreto-lei nº 2.773, de 11/11/40, portanto, norma técnica com caráter de lei, obrigando a todos os entes públicos a aplicarem esse regulamento; a titulação dessa norma era: “Cálculo e execução de obras de concreto armado”.

Em 2014 chegamos à quinta geração da norma brasileira para a elaboração de projetos de estrutura de concreto armado que, ao longo de três quartos de século, vem atualizando e desenvolvendo os modelos e a forma de se projetar estruturas de concreto armado; vale ressaltar que em 1990, com a publicação do Código de Proteção e Defesa do Consumidor, se volta a reafirmar a característica de que norma técnica tem a força de lei.

Historicamente as normas técnicas brasileiras têm a forma prescritiva, determinando procedimentos, ou seja, dão a orientação de como fazer, de como elaborar o projeto e como executar a estrutura.

Em 2013 a ABNT editou a famosa “Norma de Desempenho”, mudando radicalmente o conceito, até então vigente, indicando, agora, objetivos a serem alcançados e, não mais o “como fazer” de normas técnicas anteriores.

Depreendemos dessa nova conceituação que os projetos, de cada uma das disciplinas que compõem uma edificação, terão como premissa que ser elaborados em seus mínimos detalhes, com as especificações de materiais e procedimentos construtivos e, também, com as respectivas referências de utilização e manutenção adequadamente prescritas, é a profissionalização do modelo de construir. Vale relembrar e refletir sobre a frase do conceituadíssimo engenheiro Hugo Marques Rosa: “Nenhuma obra é melhor que seu projeto”. Esta afirmativa nos induz a produzir cada dia mais, mais projetos em diversidade e em qualidade.

Retomando a discussão sobre as estruturas das edificações, é que sempre esteve presente, na maioria dos casos, a atenção e o cuidado quanto à elaboração de projeto e de construção do sistema estrutural global do edifício, ressaltando, do esqueleto estrutural, responsável pela estabilidade do prédio e, também, referência para a continuidade da construção e aplicação dos materiais de acabamento, que darão a forma final da edificação. A NBR 6118:2014 orienta sobre a necessidade da Avaliação de Conformidade de Projeto para todas as estruturas de concreto armado, avançando na qualidade final dos projetos das estruturas construídas.

Importante ressaltar as novas exigências de desempenho em que os subsistemas estruturais adquiriram e, então, passaram a ter grande relevância para a qualificação da edificação. Senão vejamos:

  • as esquadrias terão que apresentar desempenho adequado tanto no seu sistema de fixação, bem como, na resistência a impactos;

  • as paredes, além do desempenho acústico e térmico, terão que corresponder, também, quanto à fixação de equipamentos em uso nos diversos ambientes da unidade habitacional, devem resistir a impactos pré-determinados pela norma técnica;

  • os peitoris deverão ser resistentes a impactos estabelecidos nos critérios normatizados e que estabelecem condições mínimas para a resistência dos pontos de fixação, desses equipamentos, na estrutura global do edifício;

  • as tubulações hidrossanitárias, de combate a incêndio, de sistemas de refrigeração, calhas para fiação, etc. deverão ser dimensionadas não só para a sua função específica, mas, também, dimensionadas para ter um comportamento estrutural adequado, sem deformações e vibrações excessivas.

Importante ressaltar que essas novas exigências estabelecidas implementarão mais engenharia em nossas construções e, se tivermos mais engenharia, com certeza teremos mais qualidade, mais economia, mais sustentabilidade em nossas obras e empreendimentos.

RICARDO VEIGA,
engenheiro civil, diretor técnico da Errevê Engenharia Ltda.,
consultor e projetista de Estruturas de Concreto Armado,
diretor regional da Abece (2011 a 2014) e conselheiro da
Comunidade da Construção de Goiânia

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