5º Ecos discute racionalização do uso da água e eficiência energética em edificações

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O Sinduscon-GO realizou no dia 08 de junho, com apoio do Green Building Council Brasil (GBC Brasil) a quinta edição do Encontro sobre Construção e Sustentabilidade (5º Ecos), em sua sede. A programação contemplou dois painéis: “Racionalização do Uso da Água” e “Eficiência Energética em Edificações”. Durante a abertura do evento, o presidente do Sinduscon-GO, Carlos Alberto Moura, agradeceu a parceria das entidades e empresas envolvidas na realização, destacando que as discussões visando soluções conjuntas promovem transformação. Ele afirmou que é preciso aplicar a visão do tripé da sustentabilidade (responsabilidade ambiental, viabilidade econômica e desenvolvimento social), pois este conceito é fundamental para o crescimento do País e para o fortalecimento do setor empresarial. Também participou da abertura do Encontro, o diretor da Agehab, Marcel Bruno Souza. Ele enalteceu a iniciativa do 5º Ecos, que propõe o debate de temas atuais e promove a troca de informações de alto nível e destacou a importância da parceria entre instituições públicas e privadas, pois “juntos podemos muito mais”. Em sua fala, o diretor da Agehab enfatizou a relevância da contribuição do Sinduscon-GO na formulação das políticas públicas voltadas para habitação. A inscrição social para participar do 5º Ecos contemplou a doação de 01 brinquedo. A arrecadação será destinada para as crianças assistidas pelo Núcleo de Proteção aos Queimados (NPQ).

Racionalização do uso da água – O tema foi debatido no primeiro painel da quinta edição do Encontro sobre Construção e Sustentabilidade (5º Ecos). A primeira palestra do evento foi “Estudo comparativo dos sistemas de tratamento de águas cinzas”, com o engenheiro químico, mecânico e de segurança do trabalho da Aguamundi, Maurício Assunção Cavalcante. Ele abordou os tipos de tratamento para cada classe de água de acordo com o objetivo de uso, caracterizando as variações das águas cinzas e os parâmetros técnicos do reuso. O especialista informou que atualmente em Goiânia o tratamento de águas para reuso possui boa viabilidade, considerando a diminuição do valor dos equipamentos e insumos, o aumento na oferta e a qualificação e disposição de mão de obra satisfatória. Por fim, apresentou simulação de custos do sistema de tratamento incluindo químicos, manutenção, peças, energia elétrica, etc. Em sua mensuração, tendo um empreendimento com 100% de ocupação, o investimento realizado na Estação de Tratamento de Águas Cinzas (ETAC) seria pago em 2,5 anos com a economia gerada pelo sistema.

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Case de sucesso − A gestora ambiental da New Inc Construtora e Incorporadora, Bruna Rodrigues dos Santos, apresentou a experiência da empresa na instalação e operação do sistema de tratamento de águas cinzas no edifício Terra Mundi, sob a ótica da garantia de sua viabilidade. Bruna dos Santos apresentou relato do trabalho desenvolvido pela empresa objetivando tornar efetivo o reuso de águas cinzas e o caminho percorrido até o sucesso. Conforme pontuou a gestora ambiental, a empresa decidiu estrategicamente atuar junto ao condomínio após a entrega da obra a fim de auxiliar na adaptação ao sistema e à percepção de seu valor, bem como na resolução de possíveis problemas iniciais. Ela detalhou o modelo de ETAC instalada no edifício, que prima pela facilidade na manutenção. Entre os desafios encontrados inicialmente, destacou a inviabilidade de a empresa esperar alcançar a taxa de ocupação ideal, o início da operação do sistema precisou ser imediato; o acompanhamento realizado diariamente, com foco na manutenção preventiva; manutenção da operação do sistema a contento no caso de troca da equipe administradora do condomínio, etc. Para solucionar as dificuldades, a New Inc realizou treinamentos in loco com a equipe do condomínio; incentivou a participação de todos os moradores; mobilizou a administração para o arquivamento de documentos e histórico de dados, que facilitem a continuidade em caso de mudança de gestão; e realizou acompanhamento do resultado econômico entre consumo, gastos e receita. Após a consolidação do sistema e o engajamento dos usuários, o sistema tem gerado economia de R$ 140 mil/ano para o condomínio.

Água potável e reuso – A bióloga Maura Francisca da Silva apresentou o trabalho da Saneago com a Estação de Tratamento de Água (ETA) de ciclo completo. Relatou as etapas do processo de tratamento, desde a captação de água bruta, passando pela mistura química para coagulação, floculação, decantação, filtração, até o tratamento final com correção de PH, fluoretação e cloração, de acordo com as necessidades. Enfatizou a gestão do controle da qualidade da água realizada pela Saneago em laboratórios próprios para monitoramento, com foco no atendimento à Portaria do Ministério da Saúde nº 2.914 (2011) e a Resolução do Conama nº 357 (2005) a fim de garantir a potabilidade da água. Ela lembrou que a elaboração, verificação e aprovação dos projetos e vistoria dos sistemas para reuso e reaproveitamento de águas pluviais são de responsabilidade dos empreendedores, podendo ter vistoria da Saneago visando garantir a manutenção da qualidade da água potável utilizada no edifício, alertando às empresas quanto à norma que impede a conexão cruzada dos sistemas.

Multimedição individualizada − A gerente de Desenvolvimento e Expansão de Mercado da Saneago, Lívia Oliveira Gonçalves, reconheceu a necessidade de se avançar no que tange à multimedição individualizada dos sistemas de águas em edifícios. Em sua visão, o Ecos é um ponto de partida para resolver, de forma conjunta, esta questão social. Ela relatou que o Brasil está começando a pensar sobre o assunto e que Goiás pode ser modelo para o País, pois dentre 25 companhias de saneamento que atuam em território brasileiro, nenhuma faz a multimedição até o momento. Ela falou de sua preocupação quanto à falta de participação das empresas nos debates. Lembrou que em março deste ano, a Agência Goiana de Regulação (AGR) colocou em consulta pública documento (nº 02/2017) que visa regular a modalidade, porém não houve contribuição alguma do mercado. Informou sobre projeto em desenvolvimento pela estatal para instituir os hidrômetros de água fria e quente, sistema de aproveitamento de água das chuvas e de reuso, a fim de garantir a manutenção da qualidade da água distribuída pela concessionária de saneamento. Para dar prosseguimento às discussões e efetivar a inovação, a gerente da Saneago propôs a criação de um Grupo de Trabalho (GT), com a participação do Sinduscon-GO e de especialistas. Esclareceu que já há um prazo estabelecido de 12 meses para o desenvolvimento do sistema e mais dois meses para treinamento, mas diante das solicitações do setor construtivo feitas ao presidente da Saneago haverá empenho na tentativa de abreviar este prazo.

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Painel Eficiência Energética em Edificações − Durante o 5º Ecos ocorreram quatro palestras no painel que debateu o tema “Eficiência Energética em Edificações”. A primeira exposição − “A importância da energia solar para o desenvolvimento sustentável e social / Projeto Casa Solar” − foi proferida pelo engenheiro Leandro Kazuaki Tsuruda, coordenador do Projeto Casa Solar, iniciativa desenvolvida pela Agência Goiana de Habitação (Agehab). A escassez de fontes não renováveis, impulsionada pela crise energética, proporcionou o avanço intensivo de estudos e pesquisas para a diversidade da matriz energética, implantando fontes energéticas alternativas e renováveis. Desta forma, o Projeto Casa Solar da Agehab tem como objetivo a aplicação da energia solar como meio indutor da promoção do desenvolvimento sustentável e social em habitações de interesse social unifamiliares no Estado de Goiás, que pretende assumir a liderança nacional na implantação da energia fotovoltaica em moradias populares. A Agehab começou os projetos-pilotos do programa em Alto Paraíso e Pirenópolis. Em ambos os municípios goianos vários conceitos de sustentabilidade foram implantados, como a utilização de tijolos ecológicos, pisos drenantes, aproveitamento da água da chuva, lâmpadas de alta eficiência, plantio de vegetação nativa e utilização de madeira certificada. Durante a apresentação, Leandro Kazuaki Tsuruda apresentou dados sobre a evolução dos custos para a geração de energia no Brasil, citando que o País precisa buscar a utilização de meios alternativos, como a geração por meio de energia eólica, solar, biomassa, geotérmica, entre outras.

Construção Sustentável: setor que cresce independente de oscilações econômicas – Este foi o tema da palestra proferida pelo CEO do Green Building Council Brasil (GBC Brasil), Felipe Faria. Durante a apresentação ele apontou que mesmo em momentos de dificuldades políticas e econômicas a tendência pela certificação verde de edificações (LEED) vem se consolidando no Brasil, e que a sustentabilidade já não é mais vista somente pelo viés da responsabilidade social e ambiental, mas também como algo que apresenta retorno econômico. Explicou que o Brasil ocupa atualmente, dentro de um ranking de 165 países, a quarta posição em números de projetos que contemplem itens de sustentabilidade e que em todos os estados brasileiros (com exceção do Tocantins) estão sendo executados projetos construtivos que buscam a certificação verde. Apresentou os diferentes níveis de critérios para a obtenção desta certificação e que na indústria da construção já atende clientes nas mais diversas áreas, como shoppings, hotéis, escolas, estádios de futebol, creches, apostando também no crescimento das certificações no setor de obras residenciais.

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Primeiro edifício certificado na construção, ocupação e operação – Esta foi a temática apresentada pelo gerente de Consultoria do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), Wagner Oliveira. Os participantes receberam informações sobre o primeiro empreendimento do Brasil a receber três certificações LEED: construção (LEED BD+C), reforma de interiores (LEED CI) e operação e manutenção (LEED EB O&M). A obra está localizada no Setor Bela Vista, em São Paulo (Fecomércio). Na apresentação foram abordados os benefícios e os desafios deste processo, assim como a avaliação do impacto e da manutenção das certificações. Quanto às estratégicas de sustentabilidade adotadas ele destacou a eficiência no uso racional da água, a implantação de sensores de iluminação e de presença, persianas automatizadas, entre outros itens. Finalizando, Wagner Oliveira enalteceu que a obtenção da certificação é apenas o primeiro passo, e que a operação e a manutenção são fatores determinantes para o sucesso da sustentabilidade. “O processo de certificação precisa ser pensado de forma sistêmica”, ressaltou.

Construções inteligentes: por que não tentar uma nova abordagem? Certificação casa para residência e condomínio − Rodrigo de Carvalho Basso, diretor da Montage Construtora e Incorporadora, realizou exposição sobre este tema. Ele apresentou o projeto piloto Montage Botafogo - Save Residence, edificação que aplica conceitos inovadores e de sustentabilidade e que podem ser replicados em projetos com vistas ao atendimento à crescente demanda dos consumidores e dos programas de habitação de interesse social por construções mais sustentáveis. O Save Residence está localizado no município de Campinas (SP). A obra contempla apartamentos adaptáveis às normas de acessibilidade com 60 m² (dois dormitórios) e 54 m² (um dormitório). A edificação possui vários itens sustentáveis, como o monitoramento constante dos recursos hídricos, uso eficiente de energia, manejo inteligente dos resíduos gerados, e a utilização de madeira com origem 100% legal. Outra preocupação do Save Residence está relacionada à adoção de requisitos sociais, como a promoção do desenvolvimento econômico na região onde está implantado, promovendo a sua revitalização, já que está inserido na região central de Campinas.

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